Cruzeiro Seixas

(Amadora, 1920)

Frequentou a Escola de Artes Decorativas António Arroio, em Lisboa, onde conheceu a partir de 1935, entre outros, Mário Cesariny, Marcelino Vespeira, António Domingues, Fernando José Francisco, Fernando de Azevedo e Júlio Pomar. Com estes e outros artistas participou no ano de 1942 em reuniões de carácter vanguardista no café Herminius antes de se interessar pela corrente neo-realista.

Em 1948 adere ao surrealismo, juntando-se a Mário Cesariny, Pedro Oom, Henrique Risques Pereira, António Maria Lisboa, Mário Henrique Leiria, Fernando José Francisco, Fernando Alves dos Santos e Carlos Calvet. Constituem Os Surrealistas, colectivo do qual fará parte durante dois anos, participando em duas exposições colectivas e em várias intervenções radicais. Assina manifestos, folhas volantes e marca presença em conferências.

Um ano depois deixa Portugal e parte em direcção a África. Integrado na marinha mercante viaja até à Índia e Hong Kong e fixa-se mais tarde em Angola. Interessa-se pela arte africana, que passa a coleccionar, e realiza o objecto A Mão. Neste período começa também a escrever poesia e inaugura a sua primeira exposição individual, em Luanda, apresentando 48 desenhos, acontecimento que, tal como tinha acontecido em Lisboa com as exposições surrealistas, provoca estupefacção e escândalo.

Cruzeiro Seixas era autor de pinturas onde um universo de forte raiz erótica se encontrava com o imaginário português num espaço lírico, pleno de referências mitológicas e simbólicas. Destacar-se-ia também na sua produção a montagem de objectos e colagens que alcançavam, pela sua agressividade, efeitos humorísticos.

Em 1954, já depois da morte de António Maria Lisboa, que homenageia com um desenho, o artista apresenta a sua segunda exposição individual na capital angolana, numa casa em ruínas do século XVII, constituída por objectos, colagens e poemas-objectos. O acontecimento volta a provocar polémica. O escritor e escultor Alfredo Margarido sai em defesa do artista e acaba por ser «expulso» pelas autoridades coloniais.

Apesar da distância que o separava de Portugal, Cruzeiro Seixas continua a manter contactos com Mário Cesariny, participando com desenhos e ilustrações nos seus livros de poesia. No princípio da década seguinte envolve-se na criação de um salão permanente de pintura no Museu de Angola, que contaria com a presença de obras de Almada Negreiros, Bernardo Marques, Alice Jorge, Júlio Pomar ou Nikias Skapinakis.

Com o intensificar da guerra colonial abandona Angola, e dá por terminada a experiência africana, que não mais esqueceria. Viaja depois por vários países do continente europeu (França, Espanha, Holanda, Inglaterra, Itália) onde encontra artistas ligados ao surrealismo internacional.

De regresso a Portugal produz ilustrações para Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica (dos Cancioneiros Medievais à Actualidade), de Natália Correia e, em 1967, inaugura com Mário Cesariny a exposição Pintura Surrealista, na Galeria Divulgação, no Porto. No mesmo ano a sua obra é objecto de uma retrospectiva na Galeria Buchholz, em Lisboa, e participa na Primeira Exposição Surrealista em São Paulo, no Brasil.

Por esta altura é escolhido para programador de exposições na Galeria São Mamede, actividade que desenvolverá até 1974, promovendo mostras individuais de António Areal, Mário Cesariny, Jorge Vieira, Júlio, Carlos Calvet ou Helena Vieira da Silva e procedendo à descoberta de novos artistas como Paula Rego e Mário Botas. É também neste espaço que pela primeira vez são apresentadas, no país, obras de Henri Michaux ou do Grupo Cobra .

Em 1969, novamente com Cesariny, integra a Exposição Internacional Surrealista na Holanda e durante a década de 70 mostra trabalhos seus em inúmeras colectivas do movimento surrealista internacional, principalmente aquelas ligadas ao Grupo Phases ao qual havia, entretanto, aderido.

Nas décadas seguintes, depois de cortar relações com Cesariny, afastar-se-á dos circuitos de consagração mercantil e institucional. Fixa-se no Algarve mas mantém relações com jovens poetas (Herberto Hélder e António Barahona) e outros artistas e continua a apresentar os seus trabalhos em exposições individuais e colectivas.
EXPOSIÇÕES INDIVIDUAIS
1953
Exposição de 48 desenhos, Luanda.

1954
Exposição de objectos, colagens, poemas-objectos, Luanda.

1967
Galeria Divulgação, Porto (com Mário Cesariny).
Galeria Buchholz, Lisboa

1970
20 Bules e 16 Quadros, Galeria São Mamede, Lisboa

1972
24 Desenhos de 1972, Galeria São Mamede, Lisboa.

1975
Período Neo-realista 1940-1947, Galeria São Mamede, Lisboa.
Guaches de África (1954-1958), Galeria da Emenda, Lisboa.

1977
Biblioteca Pública de Tomar, Tomar.
Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA), Lisboa.
Esta Estrada que me Segue…1945-1977, Galeria da Junta de Turismo da Costa do Estoril, Estoril.
Desenhos e Pinturas 1947-1977, Galeria Alvarez Dois, Porto.

1978
Centro Cultural de Almancil, Almancil.
Museu de Francisco Tavares Proença Júnior, Castelo Branco.

1979
Museu de Évora, Évora.

1980
O Atelier de Cruzeiro Seixas, Galeria São Mamede, Lisboa.
Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Coimbra.

1981
Biblioteca e Museu Municipal de Amarante, Amarante.

1982
Galeria de Arte Moderna, SNBA, Lisboa.
Centro Cultural de São Lourenço, Almancil.
Galeria da Junta da Turismo da Costa do Estoril (com Manuel Patinha).

1983
Galeria Quetzal, Madeira.
Galeria Francisco d’Ollanda, Beja.
1984
Galeria Gilde, Guimarães.
Galeria Leo, Lisboa (com Isabel Meyrelles).

1986
Galeria Gilde, Guimarães.
Galeria de São Bento, Lisboa.

1989
Desaforismos, Galeria Soctip, Lisboa.
Exposição Antológica na Galeria Soctip, Lisboa.

1991
Galeria Neupergama, Torres Novas.

1992
Galeria Funchália, Funchal.

1997
30 Labirintos Sem Saída, Galeria São Mamede, Lisboa.

1999
Elogio ao Papel, Galeria António Prates, Lisboa.

2000
O Poeta e a Esfinge, Galeria Arte & Manifesto, Porto.
Cruzeiro Seixas, Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão.

2001
É na linha do horizonte que está o infinito, Galeria Sacramento, Aveiro (com Eugenio Granell).

EXPOSIÇÕES COLECTIVAS
1949
I Exposição dos Surrealistas, Pathé-Baby, Lisboa.

1950
II Exposição dos Surrealistas, Livraria Bibliófila, Lisboa.

1967
XIII Exposição Internacional de Surrealismo, São Paulo.

1969
Exposição Internacional Surrealista, Haia, Holanda.
O Objecto, Galeria Quadrante, Lisboa.

1970
Novos Sintomas na Pintura Portuguesa, Galeria Judith da Cruz, Lisboa.

1972
10 Artistas da Galeria São Mamede, Galeria São Mamede, Lisboa.

1973
Exposição Internacional de Homenagem a César Moro, Lima, Peru.
Phases, Galerie du Passe Muraille, Lyon.

1974
Maias para o 25 de Abril, Galeria São Mamede, Lisboa.
Phases, Musée D’ Ixelles, Bruxelas.

1975
O Cadáver Esquisito, Sua Exaltação Seguida de Pinturas Colectivas, Galeria Ottolini, Lisboa.
Figuração Hoje, SNBA, Lisboa.
Artistas Contemporâneos, e as Tentações de Santo Antão de Bosch, Museu Nacional de Arte Antiga, Lisboa.

1976
World Surrealist Exhibition. Marvelous Freedom - Vigilance of Desire, Chicago.

1977
A Arte Portuguesa Contemporânea, Brasília; São Paulo; Rio de Janeiro.
Galeria Bouma, Amesterdão.
Cultura Portuguesa, Palácio dos Congressos, Madrid.
Mitologias Locais, SNBA, Lisboa.
Phases, Galeria Malombra, Paris.

1978
Imagination International - Austellung Bildnerischer Poesie, Museu Bochum, República Federal Alemã.
Surrealism Unlimited, 1968-1978, Camden Arts Centre, Londres.
Portuguese Art Since 1910, Royal Academy of Arts, Londres.
Arte Moderna, SNBA, Lisboa.

1979
Presença Viva de Wolfgang Paalen, Museu Carrilo Gil, Cidade do México.
Arte Moderna, SNBA, Lisboa.
Mitologias Locais, SNBA, Lisboa.

1980
Phases, Galeria Verriére, Lyon.
Papeles Invertidos, Santa Cruz de Tenerife, Canárias.
Exposição organizada pela revista Acta Médica Portuguesa, Fundação Calouste Gulbenkian (FCG), Lisboa.
Fernando Pessoa, el Eterno Viajero, Madrid.

1981
Permanence du Regard Surrealiste, ELAC, França.
Centro de Arte Moderna/Fundação Calouste Gulbenkian (CAM/FCG), Lisboa.
Azares da Expressão - ou a Teatralidade da Pintura Portuguesa, FCG.

1983
Acrochage, Galeria da Junta de Turismo da Costa do Estoril.
A Flor, Galeria Ana Isabel, Lisboa
O Bicho, Galeria Ana Isabel, Lisboa.

1985
Um Rosto Para Fernando Pessoa, CAM/FCG, Lisboa.

1986
Le XXème au Portugal, Centre Albert Borschette, Bruxelas.
O Fantástico na Arte Portuguesa Contemporânea, CAM/FCG, Lisboa.

1987
Alberto Lacerda, o Mundo de um Poeta, FCG, Lisboa.

1988
Galeria Chagal
L’ Expérience Continue, Musée des Beaux-Arts, Le Havre.

1990
Dez Anos de Actividade, Galeria Leo, Lisboa.

1991
A Cultura ao Serviço da Medicina, Fórum Picoas, Lisboa.
A Morte de Inês, Galeria Soctip, Lisboa.

1992
Arte Portuguesa nos Anos 50, Biblioteca Nacional de Beja, Beja; SNBA, Lisboa.

1994
O Rosto da Máscara, Centro Cultural de Belém, Lisboa.
Primeira Exposição do Surrealismo (e Não). Obras de Colecção Doada pelo Eng. João Sobral Meirelles, Galeria São Mamede, Lisboa.
Surrealismo (e Não), Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão.


1995
Homenagem a Mário Henrique Leiria, Galeria São Mamede, Lisboa.

1996
Visões Partilhadas. Obras de Colecções particulares de Famalicão, Fundação Cupertino de Miranda, Vila Nova de Famalicão.

1997
Le Surrealisme et L’ Amour, Pavillon des Artes, Paris.

1998
O que há de Português na Arte Moderna Portuguesa, Palácio Foz, Lisboa.

1999
Desenhos dos Surrealistas em Portugal 1940-1960, Museu Nacional Soares dos Reis, Porto.
Surrealismo: Pintura - Desenho - Objectos - Textos, Galeria Neupergama, Torres Novas.

2000
Le Mouvement Phases de 1952 à L’Horizon 2001, França.

2001
Surrealismo em Portugal 1934-1952, Museu do Chiado, Lisboa.

Bibliografia activa
Local Onde o Mar Naufragou, «A Arte e o Livro», Edições Prates, 2001